Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia….”
Friedrich Nietzsche
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Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
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Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
(Sophia de Mello Breyner)
Mario Quintana
“Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste, Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.”.
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Não falaste porque não podias, nem uma palavra, um gesto, um sorriso. Eu percebia qualquer sinal, mas ficou o silêncio em forma de dor.
Não choraste porque tinhas os olhos fechados, mas eu chorei por ti e ainda choro sempre que te lembro. A tua partida silenciosa, fez chorar a noite. Não eram lágrimas que se perdiam, haverão sempre lágrimas, mas eu ganhei uma dor que não fiz por merecer.
Às vezes chamo por ti, mas apenas o silêncio me responde. Guardo dentro de mim a tua imagem, a memória daquilo que foste e de tudo o que aprendi contigo, sabes, sou hoje uma pessoa melhor e isso devo-o a ti.
A revolta da tua partida ainda mora dentro de mim, como os dias são dias e as noites são noites. Senti que te roubaram à vida num gesto brusco e cruel... nem sequer te pude olhar nos olhos e dizer-te adeus. Esse adeus perdura, vive, como a tua ausência, sentida e que ainda me custa aceitar.
Estejas onde estiveres sei que olhas por mim... e eu guardar-te-ei sempre, sabes, existe um cantinho no meu coração que é só teu, eternamente teu.
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