Obscured By Clouds

Junho 13, 2007

Andre Rieu, Bolero - Ravel

Arquivado em: Musica — kavorka @ 4:55 am

Recordo Ainda

Arquivado em: Quintana — kavorka @ 4:54 am

Recordo ainda… e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta…

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança…

Estrada afora após segui… Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino… acreditai!…
Que envelheceu, um dia, de repente!…

Mario Quintana

Catherine Zeta Jones

Arquivado em: Fotos — kavorka @ 4:54 am

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Paraíso

Arquivado em: Portugueses — kavorka @ 4:53 am

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota…
Crepite, em derredor, o mar de Agosto…
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,

entre os lençóis o lume do teu peito…
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

 

David Mourão-Ferreira

En Ti La Tierra

Arquivado em: Neruda — kavorka @ 4:53 am

Pequeña

rosa,
rosa pequeña,
a veces,
diminuta y desnuda,
parece
que en una mano mía
cabes,
que así voy a cerrarte
y llevarte a mi boca,
pero
de pronto
mis pies tocan tus pies y mi boca tus labios, has crecido,
suben tus hombros como dos colinas,
tus pechos se pasean por mi pecho,
mi brazo alcanza apenas a rodear la delgada
línea de luna nueva que tiene tu cintura:
en el amor como agua de mar te has desatado:
mido apenas los ojos más extensos del cielo
y me inclino a tu boca para besar la tierra.

Pablo Neruda

Confluência

Arquivado em: Affonso Romano de Sant' Anna — kavorka @ 4:51 am

Ter-te amado, a fantasia exata se cumprindo
sem distância.
Ter-te amado convertendo em mel
o que era ânsia.
Ter-te amado a boca, o tato, o cheiro:
intumescente encontro de reentrâncias.
Ter-te amado
fez-me sentir:
no corpo teu, o meu desejo
– é ancorada errância.

 

Affonso Romano de Sant’Anna

A Matança dos Inocentes by by Peter Paul Rubens

Arquivado em: Artes — kavorka @ 4:51 am

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Ai, Jesus!

Arquivado em: Outros — kavorka @ 4:50 am

Ai, Jesus! Não vês que gemo,

Que desmaio de paixão

Pelos teus olhos azuis?

Que empalideço, que tremo,

Que me expira o coração?

Ai, Jesus! Que por um olhar, donzela,

Eu poderia morrer

Dos teus olhos pela luz?

Que morte! Que morte bela!

Antes seria viver!

Ai, Jesus! Que por um beijo perdido

Eu de gozo morreria

Em teus níveos seios nus?

Que no oceano dum gemido

Minh”alma se afogaria? Ai, Jesus!

 

Álvares de Azevedo

Ginger Rogers

Arquivado em: Fotos — kavorka @ 4:49 am

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

O Remorso da Inocente

Arquivado em: Outros — kavorka @ 4:48 am

 

III

Cisma a virgem mansamente

Em pensamentos do céu,

Mais cândida que as rolinhas,

Mais cândida que seu véu.

E cismava: — Ai! que eu não seja

Tão pura no meu amor:

Tão pura — como este raio

Da lâmpada do Senhor! —

E cismava: — Ai! que eu não seja

Já para Deus menos bela,

Como a bonina que murcha,

Que eu arranco da capela! —

E cismava: — Ai! que eu não tenha

Um crime, sem eu saber!

Qual será? — Ontem de noite

Eu não pude adormecer! —

E cismava: — Ai! que eu não seja

Menos linda ao meu Senhor!

Já hoje eu corri do claustro:

Dos mortos tive temor… —

E cismava: — Ai! que eu não seja

Ré de um crime que eu não sei,

Bem como o inseto escondido

Na rosa qu’ontem cortei! —

Ei-la, a cisma da donzela,

Da filha da solidão.

Ei-lo, o remorso que esconde

Nas dobras do coração.

 

Junqueira Freire

 

” Junqueira Freire (1832-1855) , Luís José Junqueira Freire, nascido em Salvador, ingressou, aos 19 anos, na Ordem dos Beneditinos. Pernaneceu enclausurado até 1854, quando, atormentado pela falta de vocação, abandonou a vida monástica. Seus poemas, reunidos em Inspirações do Claustro (1855), estão carregados de culpa, revelando uma sexualidade latente e reprimida. Retratam o jovem angustiado e depressivo que se sente incapaz de seguir a vida religiosa e que encontra na morte o seu único escape” .

Solidão

Arquivado em: Outros — kavorka @ 4:47 am

 

O espírito da tempestade que executa a minha palavra

Partiu

E minha forma assim abandonada

Caiu.

Vieram depois a aflição e a agonia

E cresceram em mim

Como a autora e o dia

E se eu quisesse contar, homens irmãos,

Desde quando meu coração está isento de alegria,

Acreditem,

Não poderia.

Há muitos séculos mora em mim

Uma noite muito escura, muito fria.

 

Adalgisa Nery

Ginevra de Benci by Leonardo da Vinci

Arquivado em: Artes — kavorka @ 4:46 am

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Eros é a água

Arquivado em: Outros Latinos — kavorka @ 4:43 am

Entre as tuas pernas
o mar revela-me estranhos recifes
rochas erguidas corais altaneiros
contra a minha gruta de búzios concha nácar
o teu molusco de sal persegue a corrente
a pequena água inventa-me barbatanas
mar da noite com luas submersas
tua ondulação brusca de polvo congestionado
acelera nas minhas guelras um latejar de esponja
e os cavalos minúsculos flutuam entre gemidos
enredados em longos pistilos de medusa.
Amor entre golfinhos
aos altos lança-te sobre o meu flanco leve
recebo-te sem ruído olho-te entre bolhas
cerco o teu riso com a minha boca espuma
ligeireza da água oxigênio de tua vegetação de clorofila
a coroa de lua abre espaço ao oceano.
Dos olhos prateados
flui longo olhar final
e erguemo-nos do corpo aquático
somos carne outra vez
uma mulher e um homem
entre as rochas.

 

Gioconda Belli

Blog no WordPress.com.