Obscured By Clouds

Junho 15, 2007

Simone e Pablo Milanés - Yolanda

Arquivado em: Musica — kavorka @ 5:19 am

Yolanda

Arquivado em: Outros Latinos — kavorka @ 5:19 am

Esto no puede ser no más que una canción;
quisiera fuera una declaración de amor,
romántica, sin reparar en formas tales
que pongan freno a lo que siento ahora a raudales.
Te amo, te amo, eternamente te amo.

Si me faltaras, no voy a morirme;
si he de morir, quiero que sea contigo.
Mi soledad se siente acompañada,
por eso a veces sé que necesito
tu mano, tu mano, eternamente tu mano.

Cuando te vi sabia que era cierto
Este temor de hallarme descubierto.
Tú me desnudas con siete razones,
me abres el pecho siempre que me colmas
de amores, de amores, eternamente de amores.

Si alguna vez me siento derrotado,
renuncio a ver el sol cada mañana;
rezando el clero que me has enseñado,
miro tu cara y digo a la ventana:
Yolanda, Yolanda, eternamente Yolanda.

 

Pablo Milanés

Sob o Chuveiro Amar

Arquivado em: Drummond — kavorka @ 5:18 am

Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo — é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?

 

Carlos Drummond de Andrade

A mulher de braços cruzados - Picasso

Arquivado em: Artes — kavorka @ 5:18 am

La mujer de bracos cruzados, by Picasso

Glosa

Arquivado em: Pessoa — kavorka @ 5:17 am

Quem me roubou a minha dor antiga,
E só a vida me deixou por dor?
Quem, entre o incêndio da alma em que o ser periga,
Me deixou só no fogo e no torpor?

Quem fez a fantasia minha amiga,
Negando o fruto e emurchecendo a flor?
Ninguém ou o Fado, e a fantasia siga
A seu infiel e irreal sabor…

Quem me dispôs para o que não pudesse?
Quem me fadou para o que não conheço
Na teia do real que ninguém tece?
Quem me arrancou ao sonho que me odiava
E me deu só a vida em que me esqueço,
“Onde a minha saudade a cor se trava?”

 

Fernando Pessoa

Mistério

Arquivado em: Affonso Romano de Sant' Anna — kavorka @ 5:16 am

O mistério começa do joelho para cima.
O mistério começa do umbigo para baixo
e nunca termina.

 

Affonso Romano de Sant’Anna

House and ploughman by Vincent Van Gogh

Arquivado em: Artes — kavorka @ 5:15 am

Vincent Van Gogh_house and ploughman

69

Arquivado em: Outros Latinos — kavorka @ 5:15 am

Cada uno se va como puede,
unos con el pecho entreabierto,
otros con una sola mano,
unos con la cédula de identidad en el bolsillo,
otros en el alma,
unos con la luna atornillada en la sangre
y otros sin sangre, ni luna, ni recuerdos.

Cada uno se va aunque no pueda,
unos con el amor entre dientes,
otros cambiándose la piel,
unos con la vida y la muerte,
otros con la muerte y la vida,
unos con la mano en su hombro
y otros en el hombro de otro.

Cada uno se va porque se va,
unos con alguien trasnochado entre las cejas,
otros sin haberse cruzado con nadie,
unos por la puerta que da o parece dar sobre el camino,
otros por una puerta dibujada en la pared o tal vez en el aire,
unos sin haber empezado a vivir
y otros sin haber empezado a vivir.

Pero todos se van con los pies atados,
unos por el camino que hicieron,
otros por el que no hicieron
y todos por el que nunca harán.

 

Roberto Juarroz

Sexy Chess

Arquivado em: Erotismo — kavorka @ 5:14 am

sexy_chess_047

Ausencia

Arquivado em: Jorge Luis Borges — kavorka @ 5:13 am

Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.

 

Jorge Luis Borges

Porque

Arquivado em: Portugueses — kavorka @ 5:11 am

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

Nude with Coral Necklace, 1917 by Amadeo Modigliani

Arquivado em: Artes — kavorka @ 5:10 am

Nude with Coral Necklace - 1917 modigliani_amedeo_fi

Ísis

Arquivado em: Cecilia Meireles — kavorka @ 5:10 am

E diz-me a desconhecida:
“Mais depressa! Mais depressa!
“Que eu vou te levar a vida! . . .

“Finaliza! Recomeça!
“Transpõe glórias e pecados! . . .”
Eu não sei que voz seja essa

Nos meus ouvidos magoados:
Mas guardo a angústia e a certeza
De ter os dias contados . . .

Rolo, assim, na correnteza
Da sorte que se acelera,
Entre margens de tristeza,

Sem palácios de quimera,
Sem paisagens de ventura,
Sem nada de primavera . . .

Lá vou, pela noite escura,
Pela noite de segredo,
Como um rio de loucura . . .

Tudo em volta sente medo . . .
E eu passo desiludida,
Porque sei que morro cedo . . .

Lá me vou, sem despedida . . .
Às vezes, quem vai, regressa . . .
E diz-me a desconhecida:

“Mais depressa” Mais depressa” . . .

 

Cecília Meireles

Unidade

Arquivado em: Manuel Bandeira — kavorka @ 5:09 am

Minh’alma estava naquele instante
Fora de mim longe muito longe

Chegaste
E desde logo foi Verão
O Verão com as suas palmas
os seus mormaços
os seus ventos de sôfrega mocidade
Debalde os teus afagos insinuavam quebranto e molície
O instinto de penetração já despertado
Era como uma seta de fogo

Foi então que min’alma veio vindo
Veio vindo de muito longe
Veio vindo
Para de súbito entrar-me violenta e sacudir-me todo
No momento fugaz da unidade.

 

Manuel Bandeira

Sexy Chess

Arquivado em: Erotismo — kavorka @ 5:08 am

sexy_chess_026

Soneto de Amor

Arquivado em: Portugueses — kavorka @ 5:07 am

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma… Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas…
E que meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua…, - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois… - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus, não digas nada…
Deixa a vida exprimir-se sem disfarce!

 

José Régio

Blog no WordPress.com.