Saudades

Saudades! Sim… Talvez… e porque não?…
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?… Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

 

Florbela Espanca

 

Uma resposta para “Saudades”

  1. Boa tarde, meu caro.
    Tenho lido seu blog, e me impressiona o seu bom gosto em poesia.
    Gostaria de sugerir que você desse uma olhada no site do poeta português Miguel Torga, do qual só vi um poema no seu blog.
    http://purl.pt/13860/1/index.html
    Um abraço,
    João Renato.

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