Obscured By Clouds

Fevereiro 10, 2008

Ira! - Vida Passageira

Arquivado em: Musica — kavorka @ 6:16 am

 

Do alto da montanha
Ou em um cavalo em verde vale
E tendo o poder de levitar
É como em um comercial de cigarros
Em que a verdade se esquece com uns tragos
Sonho difícil de acordar
É quando teus amigos te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar
Mas essa vida é passageira
Chorar eu sei que é besteira
Mas, meu amigo, não dá prá segurar

Não dá prá segurar
Não dá prá segurar
Não dá prá segurar

Desculpe meu amigo, mas não dá prá segurar
Vou dar então um passeio pelas praias da Bahia
Onde a lua se parece com a bandeira da Turquia
É o planeta inteiro que respira
Sinais de vida em cada esquina
Tanta gente que se anima
É quando teus amigos te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar
Mas essa vida é passageira
Chorar eu sei que é besteira
Mas, meu amigo, não dá prá segurar

Não dá prá segurar
Não dá prá segurar
Não dá prá segurar
Desculpe meu amigo, mas não dá prá segurar

Não dá prá segurar
Não dá prá segurar
Desculpe meu amigo, mas não dá prá segurar
Não dá prá segurar
Não dá prá segurar

Um dia acordarás

Arquivado em: Quintana — kavorka @ 6:15 am

Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,

A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás…
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste, em um sorriso
triste, te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te para teu assombro:

- Não te assustes de mim, que sofro a tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…

 

Mário Quintana

Não: devagar.

Arquivado em: Pessoa — kavorka @ 6:12 am

Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar…
Sim, devagar…
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar…
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima…

Talvez isso tudo…
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar…
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo…
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?

 

Álvaro de Campos

Nadador

Arquivado em: Cecilia Meireles — kavorka @ 6:08 am

O que me encanta é a linha alada
das tuas espáduas, e a curva
que descreves, pássaro da água!
É a tua fina, ágil cintura,

e esse adeus da tua garganta
para cemitérios de espuma!
É a despedida, que me encanta,
quando te desprendes ao vento,

fiel à queda, rápida e branda.
E apenas por estar prevendo,
longe, na eternidade da água,
sobreviver teu movimento…

Cecília Meirelles

Único remédio

Arquivado em: Outros — kavorka @ 6:06 am

Como a chama que sobe e que se apaga

Sobem as vidas a espiral de Inferno.

O desespero é como o fogo eterno

Que o campo quieo em convulsões alaga…

Tudo é veneno, tudo cardo e praga!

E al almas que têm sede de falerno

Bebem apenas o licor moderno

Do tédio pessimista que as esmaga.

Mas a Caveira vem se aproximando,

Vem exótica e nua, vem dançando,

No estrambotismo lúgubre vem vindo.

E tudo acaba então no horror insano -

- Desespero do Inferno e tédio humano -

Quando, d”esguelha, a Morte surge, rindo…

 

João da Cruz e Sousa (1861-1898)

Valsinha

Arquivado em: Vinicius de Moraes — kavorka @ 6:05 am

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vízinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz

 

Vinicius de Moraes

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