Obscured By Clouds

Fevereiro 17, 2008

The Beatles - Dear Prudence

Arquivado em: Musica — kavorka @ 6:08 am

O Tamanho da Gente

Arquivado em: Outros — kavorka @ 6:07 am

O homem acha o Cosmos infinitamente grande
E o micróbio infinitamente pequeno.
E ele, naturalmente,
Julga-se do tamanho natural…
Mas, para Deus, é diferente:
Cada ser, para Ele, é um universo próprio.
E, a Seus olhos, o bacilo de Kock,
A estrela Sirius e o Prefeito de Três Vassouras
São todos infinitamente do mesmo tamanho…

 

Mário Quintana

Nos Bosques, Perdido

Arquivado em: Neruda — kavorka @ 6:06 am

Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu sussurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.

Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um gruto ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.

Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento

como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.

Não o quero, amada.
Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.

Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela…

 

Pablo Neruda

Última Página

Arquivado em: Olavo Bilac — kavorka @ 6:05 am

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos
Numa palpitação de flores e de ninhos.
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.

Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,
Tentou-nos o pecado: olhaste-me… e pecamos;
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos…

Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor…

 

Olavo Bilac

Nihil novum

Arquivado em: Florbela — kavorka @ 6:00 am

Na penumbra do pórtico encantado
De Bruges, noutras eras, já vivi;
Vi os templos do Egito com Loti;
Lancei flores, na Índia, ao rio sagrado.

No horizonte de bruma opalizado,
Frente ao Bósforo errei, pensando em ti!
O silêncio dos claustros conheci
Pelos poentes de nácar e brocado…

Mordi as rosas brancas de Ispaã
E o gosto a cinza em todas era igual!
Sempre a charneca bárbara e deserta,

Triste, a florir, numa ansiedade vã!
Sempre da vida ? o mesmo estranho mal,
E o coração ? a mesma chaga aberta!

Florbela Espanca

Não conto gozar a minha vida

Arquivado em: Pessoa — kavorka @ 5:59 am

Não conto gozar a minha vida;

nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande,

ainda que para isso tenha de ser o meu corpo

e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;

ainda que para isso tenha

de a perder como minha”.

Álvaro de Campos

Friedrich Nietzsche

Arquivado em: Outros — kavorka @ 5:58 am

“Não posso neste momento reprimir um suspiro. Há dias em que se apodera de mim um sentimento mais negro do que a mais negra melancolia: o Desprezo pelo homens. E, para não deixar dúvida alguma sobre o que desprezo e a quem desprezo, direi que é o homem de hoje, de quem por fatalidade sou conteporâneo.”

 

Friedrich Nietzsche

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