Obscured By Clouds

Março 18, 2008

Mozart Violin Concerto No.3 - 1o. Mov. - Isaac Stern

Arquivado em: Artes — kavorka @ 5:09 am

Eu Não Existo Sem Você - Tom Jobim / Vinícius de Moraes

Arquivado em: Vinicius de Moraes — kavorka @ 4:40 am

 

 

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste

Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham prá você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar

Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você

 

Retorno

Arquivado em: Drummond — kavorka @ 4:39 am

Meu ser em mim palpita como fora
do chumbo da atmosfera constritora.
Meu ser palpita em mim tal qual se fora
a mesma hora de abril, tornada agora.

Que face antiga já se não descora
lendo a efígie do corvo na da aurora?
Que aura mansa e feliz dança e redoura
meu existir, de morte imorredoura?

Sou eu nos meus vinte aons de lavoura
de sucos agressivos, que elabora
uma alquimia severa, a cada hora.

Sou eu ardendo em mim, sou eu embora
não me conheça mais na minha flora
que, fauna, me devora quanto é pura.

 

Carlos Drummond de Andrade

O velho do espelho

Arquivado em: Quintana — kavorka @ 4:37 am

Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse

Que me olha e é tão mais velho do que eu?

Porém, seu rosto…é cada vez menos estranho…

Meu Deus, Meu Deus…Parece

Meu velho pai - que já morreu!

Como pude ficarmos assim?

Nosso olhar - duro - interroga:

“O que fizeste de mim?!

“Eu, Pai?!

Tu é que me invadiste,

Lentamente, ruga a ruga…Que importa?

Eu sou, ainda,

Aquele mesmo menino teimoso de sempre

E os teus planos enfim lá se foram por terra.

Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!

-Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste…

 

Mário Quintana

Versos Íntimos

Arquivado em: Augusto do Anjos — kavorka @ 4:36 am

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

 

Augusto dos Anjos

Eu amo tudo o que foi

Arquivado em: Pessoa — kavorka @ 4:35 am

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931.

Voz que se cala

Arquivado em: Florbela — kavorka @ 4:34 am

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!…

 

Florbela Espanca

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