Obscured By Clouds

Maio 2, 2008

Amy Winehouse - Back to Black

Arquivado em: Musica — kavorka @ 6:01 am

Amar!

Arquivado em: Florbela — kavorka @ 6:01 am

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui…além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!…
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Florbela Espanca

Ser Grande

Arquivado em: Pessoa — kavorka @ 6:00 am

Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha,
Porque alta vive.

 

Fernando Pessoa

 

Hylas and nymphs By John William Waterhouse, 1896

Arquivado em: Artes — kavorka @ 6:00 am

hylas_and_nymphs By John William Waterhouse, 1896

Canção

Arquivado em: Vinicius de Moraes — kavorka @ 5:58 am

Não leves nunca de mim

A filha que tu me deste

A doce, úmida, tranqüila

Filhinha que tu me deste

Deixe-a, que bem me persiga

Seu balbucio celeste.

Não leves; deixa-a comigo

Que bem me persiga, a fim

De que eu não queira comigo

A primogênita em mim

A fria, seca, encruada

Filha que a morte me deu

Que vive desdentada

Do leite que não é seu

E que de noite me chama

Com a voz mais triste que há

E pra dizer que me ama

E pra chamar-me de pai.

Não deixes nunca partir

A filha que tu me deste

A fim de que eu não prefira

A outra, que é mais agreste

Mas que não parte de mim.

 

Vinicius de Moraes

Assovio

Arquivado em: Cecilia Meireles — kavorka @ 5:57 am

Ninguém abra a sua porta
para ver o que aconteceu:
saímos de braço dado,
a noite escura mais eu.

Ela não sabe o meu rumo,
eu não lhe pergunto o seu:
não posso perder mais nada,
se o que houve já se perdeu.

Vou pelo braço da noite,
levando tudo que é meu:
- a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu.

Cecília Meirelles

Testamento do poeta

Arquivado em: Portugueses — kavorka @ 5:56 am

 

Todo esse vosso esforço é vão, amigos:
Não sou dos que se aceita… a não ser mortos.
Demais, já desisti de quaisquer portos;
Não peço a vossa esmola de mendigos.

O mesmo vos direi, sonhos antigos
De amor! olhos nos meus outrora absortos!
Corpos já hoje inchados, velhos, tortos,
Que fostes o melhor dos meus pascigos!

E o mesmo digo a tudo e a todos, - hoje
Que tudo e todos vejo reduzidos,
E ao meu próprio Deus nego, e o ar me foge.

Para reaver, porém, todo o Universo,
E amar! e crer! e achar meus mil sentidos!…
Basta-me o gesto de contar um verso.

José Régio

Amy Winehouse -You Know I’m No Good

Arquivado em: Outros — kavorka @ 5:54 am

Universalidade

Arquivado em: Portugueses — kavorka @ 5:49 am

                                    Aqui declaro que não tem fronteiras.
                                    Filho da sua pátria e do seu povo,
                                    A mensagem que traz é um grito novo,
                                    Um metro de medir coisas inteiras.
                                    Redonda e quente como um grande abraço
                                    De polo a polo, a sua humanidade,
                                    Tendo raízes e localidade,
                                    É um sonho aberto que fugiu do laço
                                    Vento da primavera que semeia
                                    Nas montanhas, nos campos e na areia
                                    A mesma lúdica semente,
                                    Se parasse de medo no caminho,
                                    Também parava a vela do moinho
                                    Que mói depois o pão de toda a gente.

 

Miguel Torga

Courtyard Of a House In Delfi - Pieter de Hooch

Arquivado em: Artes — kavorka @ 5:48 am

CourtyardOfaHouseInDelfi-PieterdeHooch

Poema de Despedida

Arquivado em: Outros — kavorka @ 5:40 am

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo
E recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.

 

Rabindranath Tagore

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