A vida está cheia de interferências indébitas, de acasos estúpidos, de personagens errados que travam conosco desencontrados diálogos de surdos, a vida está atravancada de pormenores inúteis, a vida parece um romance mal feito!
Mário Quintana
A vida está cheia de interferências indébitas, de acasos estúpidos, de personagens errados que travam conosco desencontrados diálogos de surdos, a vida está atravancada de pormenores inúteis, a vida parece um romance mal feito!
Mário Quintana
Tradução
E eu te amo tanto…
E eu te amo tanto,
as pessoas me perguntam como?
Como eu tenho vivido até agora,
eu digo a eles que eu não sei
Eu acredito que eles entendam,
como a vida tem sido solitária
Mas a vida recomeçou,
no dia em que você tomou minhas mãos
É claro que eu sei,
o quão solitária pode ser a vida
As sombras me perseguem
e a noite não me libertará
Mas eu não deixo
o anoitecer me entristecer
Agora que você está ao meu redor!
E você me ama tanto,
seus pensamentos são apenas em mim
Você libertou o meu espírito
e eu sou feliz pelo que você faz
Olhar sobre a vida é breve,
uma vez que a página está lida
Tudo se vai nesta vida, exceto o amor…
nisto é que eu acredito
Pablo Neruda
Aquele que abraça uma mulher é Adão. A mulher é Eva.
Tudo acontece pela primeira vez.
Vi uma coisa branca no céu. Dizem-me que é a lua, mas que posso eu fazer com uma palavra e uma mitologia.
As árvores metem-me um pouco de medo. São tão belas.
Os tranquilos animais aproximam-se para que eu lhes diga o seu nome.
Os livros da biblioteca não têm letras. Quando os abro irrompem.
Ao folhear o atlas projecto a forma de Samatra.
Aquele que acende um fósforo no escuro está a inventar o fogo.
No espelho há um outro que espreita.
Aquele que olha o mar vê Inglaterra.
Aquele que profere um verso de Liliencron já entrou na batalha.
Sonhei Cartago e as legiões que devastaram Cartago.
Sonhei a espada e a balança.
Louvado seja o amor em que não há possuidor nem possuída, mas em que ambos se entregam.
Louvado seja o pesadelo, que nos revela que podemos criar o inferno.
Aquele que desce um rio desce o Ganges.
Aquele que contempla uma ampulheta vê a dissolução de um império.
Aquele que brinca com um punhal pressagia a morte de César.
Aquele que dorme é todos os homens.
No deserto vi a jovem Esfinge, que acabam de construir.
Não há nada tão antigo sob o sol.
Tudo acontece pela primeira vez, mas de maneira eterna.
Aquele que lê as minhas palavras está a inventá-las.
Jorge Luis Borges