A maior tortura
Na vida, para mim, não há deleite.
Ando a chorar convulsa noite e dia…
E não tenho uma sombra fugidia
Onde poise a cabeça, onde me deite!
E nem flor de lilás tenho que enfeite
A minha atroz, imensa nostalgia!…
A minha pobre Mãe tão branca e fria
Deu-me a beber a Mágoa no seu leite!
Poeta, eu sou um cardo desprezado,
A urze que se pisa sob os pés
Sou, como tu, um riso desgraçado!
Mas a minha tortura inda é maior.
Não ser poeta assim como tu és
Para gritar num verso a minha dor!…
Florbela Espanca













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