A queda
E eu que sou o rei de toda essa incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir… Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de oiro,
Volve-se logo falso… ao longe o arremeço…
Eu morro de desdém em frente dum tesoiro,
Morro à míngua de excesso.
Alteio-me na cor à força de quebranto,
Estendo os braços de alma – e nem um espasmo venço!…
Peneiro-me na sombra – em nada me condenso…
Agonias de luz eu vibro ainda entanto.
Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
-Vencer às vezes é o mesmo que tombar-
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais ascendo até ao fim:
Olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso…
Tombei…
E fico só esmagado por mim!
Mário de Sá-Carneiro













“A mais tola das virtudes é a idade.
Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos?
Há pulhas, há imbecis, há santos,
há gênios de todas as idades.”
(Nelson Rodrigues)
Virginia disse isso em 05/07/2009 às 19:42