De um amor morto

De um amor morto fica
um pesado tempo quotidiano
onde os gestos se esbarram ao longo do ano 

De um amor morto não fica
nenhuma memória
o passado se rende
o presente o devora
e os navios do tempo
agudos e lentos
o levam embora

Pois um amor morto não deixa
em nós seu retrato
de infinita demora
é apenas um facto
que a eternidade ignora

Sophia de Mello Breyner Andresen

~ por kavorka em 11/11/2009.

2 Respostas to “De um amor morto”

  1. “O AMOR SÓ COMEÇA A MATAR QUANDO COMEÇA A MORRER.UM AMOR VIVO NÃO MATA,DÁ VIDA.”

  2. ‘ Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te. ‘

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