Alanis Morissette–thank you

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Soneto LXI

Trouxe o amor sua cauda de dores,
Seu longo raio estático de espinhos,
E fechamos os olhos porque nada,
Para que nenhuma ferida nos separe.

Não é culpa de teus olhos este pranto:
Tuas mãos não cravaram esta espada:
Não buscaram teus pés este caminho:
Chegou a teu coração o mel sombrio.

Quando o amor como a imensa onda
Nos estrelou contra a pedra dura,
Nos amassou com uma só farinha,

Caiu a dor sobre outro doce rosto
E assim na luz de estação aberta
Se consagrou a primavera ferida.

Pablo Neruda

Meio-dia

Meio-dia. Um canto da praia sem ninguém.
O sol no alto, fundo, enorme, aberto,
Tornou o céu de todo os deus deserto.
A luz cai implacável como um castigo.

Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso solitário e antigo,
Parece bater palmas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Hermann Hesse, Sidarta

Olha, Kamala, a maioria das criaturas humanas é como folha arrancada, a flutuar e revolver-se no ar, até ir ao chão. Outras, porém, parecem-se com os astros que andam numa órbita fixa, sem que nenhum vento possa alcançá-los, e têm em si próprios sua lei e sua rota.

Hermann Hesse, Sidarta, p. 63