Soneto LXIV, Cem sonetos de amor

De tanto amor minha vida se tingiu de violeta
E fui de rumo em rumo como as aves cegas
Até chegar a tua janela, amiga minha:
Tu sentiste um rumor de coração quebrado

E ali da escuridão me levantei a teu peito,
Sem ser e sem saber fui á torre do trigo,
Surgi para viver entre tuas mãos,
Me levantei do mar a tua alegria.

Ninguém pode contar o que te devo, é lúcido
O que te devo, amor, e é como uma raiz
Natal de Araucânia, o que te devo, amada.

É sem dúvida estrelado tudo o que te devo,
O que te devo é como o poço de uma zona silvestre
Onde guardou o tempo relâmpagos errantes.

Pablo Neruda

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