O vestido

No armário do meu quarto escondo de tempo e traça meu vestido estampado em fundo preto.

É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.  
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito, meu vestido de amante.  
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.  
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:  
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.  
De tempo e traça meu vestido me guarda.


Adélia Prado

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Um comentário sobre “O vestido

  1. Há uma mulher a morrer sentada
    Uma planta depois de muito tempo
    Dorme sossegadamente
    Como cisne que se prepara
    Para cantar

    Ela está sentada à janela. Sei que nunca
    Mais se levantará para abri-la
    Porque está sentada do lado de fora
    E nenhum de nós pode trazê-la para dentro

    Ela é tão bonita ao relento
    Inesgotável

    É tão leve como um cisne em pensamento
    E está sobre as águas
    É um nenúfar, é um fluir já anterior
    Ao tempo

    Sei que não posso chamá-la das margens

    D. Faria

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