Domus

Com seus olhos estáticos


na cumeeira a casa olha o homem.


A intervalos


lhe estremecem os ouvidos,


de paredes sensíveis,discernentes:


agora é amor,agora é injúria,


punhos contra a parede,


pânico.


Comove Deus


a casa que o homem faz para morar,


Deus


que também tem os olhos


na cumeeira do mundo.


Pede piedade a casa por seu dono


e suas fantasias de felicidade.


Sofre a que parece impassível.


É viva a casa e fala.

Adélia Prado

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