A Bola

Esférico, que no teu voo não cessas de oferecer
o calor de duas mãos com indiferença.
O que nos objectos não pode permanecer,
demasiado pesado para eles, pouco mas suficiente,

para que não possa, de repente,
deslizar em nós, invisível, a tudo o que lá fora
se alinha, em ti desliza, entre queda e voo,
indecisa. Elevas-te primeiro como se

o tivesses levado contigo, arrebatado,
e libertado, depois inclinas-te e ficas suspensa—
e lá do alto mostras, de súbito,
aos jogadores uma nova jogada,

dispondo-os, como se fossem figuras dum bailado,
para logo a seguir, desejada e esperada por todos,
rápida, simples, natural, sem pesar
voltares a cair nas mãos que se elevam no ar.

RAINER MARIA RILKE

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