MARIA-FUMAÇA

As lentas, poeirentas, deliciosas viagens nos trens antigos. As famílias (viajavam famílias inteiras) levavam galinhas com farofa em cestas de vime, que ofereciam, pois não, aos viajantes solitários.

E os viajantes solitários (e os meninos) ainda desciam nas estaçõezinhas pobres… para os pastéis, os sonhos, as laranjas…

E ver as moças da localidade, que iam passear nas gares para ver os viajantes, uns e outros de olhos compridos – eles num sonho repentino de ficar, elas num sonho passageiro de partir.

Um apito, a fumarada, resolvia tudo.

Mas hoje nem há o que resolver. E é quase proibido sonhar. O mal dos aviões é que não se pode descer a toda hora para comprar laranjas.

Nesses aviões, vamos todos imóveis e empacotados como encomendas.

Às vezes encomendas para a Eternidade…

Mário Quintana

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