Soneto – LXXXVII

AS TRES AVES do mar, três raios, três tesouras,
Cruzam pelo céu frio para Antofagasta,
Por isso ficou o ar tremuloso,
Tudo tremeu como bandeira ferida.

Solidão dá-me o sinal de tua incessante origem,
O apenas caminho dos pássaros cruéis,
E a palpitação que sem dúvida precede
O mel, a música, o mar, o nascimento.

(Solidão sustentada por um constante rosto
como uma grave flor sem cessar estendida
até abraçar a pura multidão do céu)

Voavam asa frias do mar, do Arquipélago,
Para a areia do Noroeste do Chile.
E a noite fechou seu celeste ferrolho.

Pablo Neruda, Cem sonetos de Amor

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s