Os grilos

Os grilos abrem frinchas no silêncio.
Os grilos trincam as vidraças negras da noite.
E o silêncio das vastas solidões noturnas
é uma rede tecida de cricrilos… Mas
impossível que haja tantos grilos no mundo,
pensa o Doutor… Sim, talvez seja um problema
do labirinto,
retruco, telepático. Mas eu só acredito no que está
nos meus poemas,
doutor… Meus poemas é que são os meus sentidos

e não esses, tão poucos, que se contam pelos dedos
e não passam de um único bicho estropiado de cinco
patas,
com que mal pode se locomover.
Chego ao fim da consulta como chego ao fim deste
soneto.
Fecha-se a porta do poema e saio para a rua:
…um pobre bicho perdido, perdido, perdido…

Mário Quintana

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