Conto Azul

Agarrado a ponta da estrela, acabou me dando uma dormência, mas afinal consegui sacudir o pé e desprendeu-se um sapato. Foi cair na cabeça do vigário. Ainda bem que ele não se achava no exercício de suas funçoes.

Estava praticando caridade. E a pobre vítima a quem socorria foi presa por agressão e roubo.

E como nem o acusado acreditasse na procedência etérea do sapato e o próprio vigário, que voltara a si, era infenso a testemunhar tais implausibilidades – que bem poderiam ser obra do demônio -, não houve outra saída, a bem da ordem natural do mundo, senão aquele homem de boa-fé confessar que aquilo pertencia à pessoa que ele assaltara na penúltima vez. E como ninguém encontrasse ,a tal, concluiu-se por homicidio. Agora, só faltava o cadáver.

Meu Deus! esses humanos.. Não podiam eles viver sem razões? Ri tanto que me despenquei da ponta da estrela. Com o que ficou tudo resolvido. Eu era precisamente o cadáver que não tinha um sapato!

E quando voltar a mim (são muito longos os desmaios dos anjos) todos os personagens e assistentes dessa história já terão desaparecido, e talvez a linda e pequena cidade onde ela aconteceu.

Mário Quintana

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s