Naturezas Mortas

Havia talhadas de melancia rindo…
E os difíceis abacaxis: por fora uma hispidez de
bicho insaciável;
Por dentro, uma ácida doçura…
Morno veludo de pêssegos…
Frescor saudoso de amoras…

E, a mais agreste e dócil das criaturinhas,
Cada pitanga desmanchava-se como um beijo
vermelho na boca.
Eu passo, sem querer, as costas da mão nos meus
lábios:
Não sei por que desenho essas coisas no tempo
        passado…

Mário Quintana

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Um comentário sobre “Naturezas Mortas

  1. Identidade

    Guardei-me para ti
    como segredo
    que eu mesma não desvendei:

    há notas na minha arpa
    que não toquei
    há praias na minha noite
    que não andei.

    É preciso que me tomes
    além do riso e do olhar
    naquilo que não conheço
    e adivinhei:

    é preciso que me cantes
    a canção do serei e me cries com teu gesto
    que nem sonhei.

    Lya Luft

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