Rio Vermelho

Rio Vermelho das janelas da casa velha da Ponte…
Rio que se afunda debaixo das pontes.
Que se reparte nas pedras.
Que se alarga nos remansos.
Rio, vidraça do céu. Das nuvens e das estrelas.
Rio de águas velhas.
Roladas das enxurradas.
Rio do princípio do mundo.
Rio da contagem das eras.
Rio Vermelho – meu rio.
Rio que atravessei um dia (Altas horas.Mortas horas.)
há cem anos…
Em busca do meu destino.
Da janela da casa velha todo dia, de manhã, tomo a bênção do rio:
– "Rio Vermelho, meu avozinho, dá sua bença pra mim…"

Cora Coralina

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