As artes do fogo

Levanto as mãos e o vento levanta-se nelas.
Rosas ascendem do coração trançado
das madeiras.

As caudas dos pavões como uma obra astronómica.
E o quarto alagado pelos espelhos
dentro. Ou um espaço cereal que se exalta.
Escondo a cara. A voz fica cheia de artérias.

E eu levanto as mãos defendendo a leveza do talento
contra o terror que o arrebata. Os olhos contra
as artes do fogo.
Defendendo a minha morte contra o êxtase das imagens.

Herberto Hélder

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