A meu favor

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em obscuros sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que eu adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

Manuel António Pina

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Um comentário sobre “A meu favor

  1. Este Inferno de Amar
    Este inferno de amar – como eu amo! –
    Quem mo pôs n’alma… quem foi?
    Esta chama que alenta e consome,
    Que é vida – e que a vida destrói –
    Como é que veio atear,
    Quando – ai quando se há de ela apagar?

    Eu não sei, não me lembra: o passado,
    A outra vida que dantes vivi
    Era um sonho talvez… – foi um sonho –
    Em que paz tão serena a dormi!
    Oh! Que doce era aquele sonhar…
    Quem me veio ai de mim! Despertar?

    Só me lembra que um dia formoso
    Eu passei… dava o Sol tanta luz!
    E os meus olhos, que vagos giravam,
    Em seus ardentes os pus.
    Que fez ela? Eu que fiz – Não sei;
    Mas nessa hora a viver comecei…
    Almeida Garrett

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