Tristes mãos de seda

A tarde põe as tristes mãos de seda,
ermas de jóias e de pedraria
sobre o cabelo de ouro da alameda
sonolenta de maio e fim de dia
a tarde põe as tristes mãos de seda.

O mistério do outono embala tudo
no silêncio de seu recolhimento;
e as mãos da tarde, suaves, de veludo,
descem do céu, num gesto longo e lento,
ermas de jóias e de pedraria.

Um par de lábios, trêmulos, fugazes,
perfumados de sombra e de desejo,
depõem, numa carícia de lilases,
a religiosa unção de um grande beijo
sobre o cabelo de ouro da alameda.

E esta fica a sonhar, como quem sonha
um infinito sonho de saudade,
numa quietude mística e tristonha,
sob o incenso da meia-claridade,
sonolenta de maio e fim de dia…

Alceu Wamosy

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