Mar desconhecido

Sinto viver em mim um mar ignoto,
E ouço, nas horas calmas e serenas,
As águas que murmuram, como em prece,
Estranhas orações intraduzíveis.

Ouço também, do mar desconhecido,
Nos instantes inquietos e terríveis,
Dos ventos o guaiar desesperado
E os soluços das ondas agoniadas.

Sinto viver em mim um mar de sombras,
Mas tão rico de vida e de harmonias,
Que dele sei nascer a misteriosa

Musica, que se espalha nos meus versos,
Essa música errante como os ventos,
Cujas asas no mar geram tormentas.

Augusto Frederico Schmidt

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Um comentário sobre “Mar desconhecido

  1. Homem livre, o oceano é um espelho fulgente
    Que tu sempre hás-de amar. No seu dorso agitado,
    Como em puro cristal, contemplas, retratado,
    Teu íntimo sentir, teu coração ardente.

    Gostas de te banhar na tua própria imagem.
    Dás-lhe beijo até, e, às vezes, teus gemidos
    Nem sentes, ao escutar os gritos doloridos,
    As queixas que ele diz em mística linguagem.

    Vós sois, ambos os dois, discretos tenebrosos;
    Homem, ninguém sondou teus negros paroxismos,
    Ó mar, ninguém conhece os teus fundos abismos;
    Os segredos guardais, avaros, receosos!

    E há séculos mil, séculos inumeráveis,
    Que os dois vos combateis n’uma luta selvagem,
    De tal modo gostais n’uma luta selvagem,
    Eternos lutador’s ó irmãos implacáveis!

    C. Baudelaire

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