Elsa

Noites de longa insônia e de castigo
Que ansiavam a alba e a temiam,
Dias daquele ontem que repetiam
Outro inútil ontem. Hoje os bendigo,
Como pressentiria nestes anos
De solidão de amor, que as atrozes
Fábulas da febre e as ferozes
Auroras não eram mais que degraus
Torpes e errantes galerias
Que me conduziam à pura
culminância de azul que no azul perdura
Desta tarde de um dia e de meus dias?

Elsa, em minha mão eu prendo a tua. Vemos
No ar a neve e a queremos.

Jorge Luis Borges

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