Minha Mulher, A Solidão

Minha mulher, a solidão,
Consegue que eu não seja triste.
Ah, que bom é ao coração
Ter esse bem que não existe!

Recolho ao não ouvir ninguem,
Não sofro o insulto de um carinho
E falo alto sem que haja alguém:
Nascem-me os versos do caminho.

Senhor, se há bem que o céu conceda
Submisso à opressao do Fado,
Dá-me eu ser só — veste a seda –,
E fala só — leque animado.

 

Alberto Caeiro

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s