Ausência

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
Ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
Magoa, que se limita à alma, mas que não deixa,

Por isso, de deixar alguns sinais – um peso
Nos olhos, no lugar da tua imagem, e
Um vazio nas mãos, como se tuas mãos lhes
Tivessem roubado o tacto. São estas as formas
Do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
As coisas simples também podem ser complicadas,

Quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz à tua memória; e a
Realidade aproxima-te de ti, agora que
Os dias que correm mais depressa, e as palavras

Ficam presas numa refracção de instantes,
Quando a tua voz me chama de dentro de
Mim – e me faz responder-te uma coisa simples,
Como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice

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Um comentário sobre “Ausência

  1. Não Tenho para Ti Quotidiano Não tenho para ti quotidiano
    mais que a polpa seca ou vento grosso,
    ter existido e existir ainda,
    querer a mais a mola que tu sejas,
    saber que te conheço e vai chegar
    a mão rasa de lona para amar.

    Não tenho braço livre mais que olhar
    para ele, e o que faz que tu não queiras.
    Tenho um tremido leito em vala aberta,
    olhos maduros, cartas e certezas.

    Neste comboio longo, surdo e quente,
    vou lá ao fundo, marco o Ocupado.
    Penso em ti, meu amor, em qualquer lado.
    Batem-me à porta e digo que está gente.

    Pedro Tamen, in “Daniel na Cova dos Leões”

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