Dolências

Eu fui cadáver, antes de viver!…
– Meu corpo, assim como o de Jesus Cristo,
Sofreu o que olhos do homem não têm visto
E olhos de fera não puderam ver!

Acostumei-me, assim, pois a sofrer
E acostumado a assim sofrer, existo…
Existo!… – E apesar disto, apesar disto
Inda cadáver hei também de ser!

Quando eu morrer de novo, amigos, quando
Eu, de saudades me despedaçano,
De novo, triste e sem cantar, morrer,

Nada se altere em sua marcha infinda
– O tamarindo reverdeça ainda,
A lua continue sempre a nascer!

Augusto dos Anjos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s