Cântico

Num impudor de estátua ou de vencida,

coxas abertas, sem defesa… nua

ante a minha vigília, a noite, e a lua,

ela, agora, descansa, adormecida.

 

Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,

meu olhar desce aonde o sexo estua.

Choro… e porquê? Meu sonho, irreal, flutua

sobre funduras e confins da vida.

 

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos…

enquanto o luar a numba, inerte, gasta

da ternura feroz do meu amplexo.

 

Cantam-me as veias poemas nunca feitos…

e eu pouso a boca, religiosa e casta,

sobre a flor esmagada do seu sexo.

 

José Régio

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