Último soneto

Que rosas fugitivas foste ali:

Requeriam-te os tapetes ? e vieste…

Se me dói hoje o bem que me fizeste,

É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi

Quando entraste, nas tardes que apareceste ?

Como fui de percal quando me deste

Tua boca a beijar, que remordi…

Pensei que fosse o meu o teu cansaço ?

Que seria entre nós um longo abraço

O tédio que, tão esbelta, te curvava…

E fugiste… Que importa ? Se deixaste

A lembrança violeta que animaste

Onde a minha saudade a Cor se trava?…

 

Mário de Sá-Carneiro

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