Soneto XCII

AMOR MEU se morro e tu não morres,
Amor meu, se morres e não morro,
Não demos á dor mais território:
Não há extensão como a que vivemos.
Pó no trigo, areia nas areias,
O tempo, a água errante, o vento vago
Nos transportou como grão navegante.
Podemos não encontrar no tempo.
Esta campina em que nos achamos,
Oh pequeno infinito! Devolvemos.
Mas este amor, amor, não terminou,
E assim como não teve nascimento
Morte não tem, é como um longo rio,
Só muda de terras e de lábios.

Pablo Neruda

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