Soneto XCIII

SE ALGUMA VEZ, teu peito se detém,
Se algo deixa de andar ardendo por tuas veias,
Se tua voz em tua boca se vai sem palavra,
Se tuas mãos se esquecem de voar e dormem.
Matilde, amor, deixa teus lábios entreabertos
Porque esse último beijo deve durar comigo,
Deve ficar imóvel para sempre em tua boca
Para que assim também me acompanhe em minha morte.
Morrei beijando tua louca boca fria
Abraçando o cacho perdido de teu corpo,
E buscando a luz de teus olhos fechados.
E assim quando a terra receber nosso abraço
Iremos confundidos numa única morre
A viver para sempre de um beijo a eternidade.

Pablo Neruda

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