Soneto XCV

OS QUE se amam como nós? Busquemos
As antigas cinzas do coração queimado
E ali que tombem um por um nossos beijos
Até que ressuscite a flor desabitada.
Amemos o amor que consumiu seu fruto
E desceu á terra com rosto e poderio:
Tu e eu somos a luz que continua,
Sua inquebrantável espiga delicada.
Ao amor sepultado por tanto tempo frio,
Por neve e primavera, por esquecimento e outono,
Acerquemos a luz de uma nova maça,
Do frescor aberto por uma nova ferida,
Como o amor antigo que caminha em silêncio
Por uma eternidade de bocas enterradas.

Pablo Neruda

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s