Flores do Mal: XVIII – O Ideal

 

Pois não serão jamais belezas de vinhetas,
Produto que numa era epicúrea nasceu.
E pés com borzeguins, dedos com castanhetas,
Que irão satisfazer um sonho como o meu.
Eu deixo a Gavarni, o poeta das anemias,
Seu sonoro tropel de graças de hospital,
Pois não posso encontrar entre estas rosas frias
Uma flor que semelhe o meu vermelho ideal.
Só quer meu coração (que a noite se abisme!)
Lady Machbeth, essa alma espojada no crime,
Sonho de Ésquilo aberto em furiosas manhãs;
Ou bem tu, grande Noite e michelangesca,
Pacífica a torcer, estranhamente fresca,
As graças cujo molde é a boca dos Titãs.

Charles Baudeleire

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