Matinal

 

Entra o sol, gato amarelo, e fica
à minha espreita, no tapete claro.
Antes de abrir os olhos, sei que o dia
Virá olhar-me por detrás das árvores.

Ah! sentir-me ainda vivo sobre a face da Terra
enquanto a vida me devora…
Me espreguiço, entredurmo… O anjo da luz espera-me
Como alguém que vigiasse uma crisálida.

Pé ante pé, do leito, aproxima-se um verso
para a canção de despertar;
os ritmos do tráfego vibram como uma cigarra,

a tua voz nas minhas veias corre,
e alguns pedaços coloridos do meu sonho
devem andar por esse ar, perdidos…

Mario Quintana

Um comentário sobre “Matinal

  1. Adormecem sobre o meu peito
    com toda a paciência do mundo,
    imaginando pássaros entre as espirais
    de fumo da cigarrilha,
    moscas nas vidraças que dão
    para a sonolenta escuridão da noite.
    Exilaram-se dos telhados,
    já não lhes pertencem. Levantam
    agora o pano de um outro teatro:
    o do mais antigo do que há memória,
    o do que tem como personagens
    as sombras de cetim negro
    que povoam os livros da ausência.

    J. J. Letria

    abraço meu
    gal

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