O mar é longe, mas somos nós o vento…

O mar é longe, mas somos nós o vento;
e a lembrança que tira, até ser ele,
é doutro e mesmo, é ar da tua boca
onde o silêncio pasce e a noite aceita.
Donde estás, que névoa me perturba
mais que não ver os olhos da manhã
com que tu mesma a vês e te convém?
Cabelos, dedos, sal e a longa pele,
onde se escondem a tua vida os dá;
e é com mãos solenes, fugitivas,
que te recolho viva e me concedo
a hora em que as ondas se confundem
e nada é necessário ao pé do mar.

Pedro Tamen, in “Daniel na Cova dos Leões”

2 comentários sobre “O mar é longe, mas somos nós o vento…

  1. Escrevo-te de perto, como se a mão
    te fosse objecto breve aflorado,
    como se da rua te chegasse
    a certeza pequena para a compra
    dos minutos seguintes. De perto
    como o sol, como a cigarra.
    Como um silêncio cheio
    que te viesse aos olhos de manhã
    e amar-te fosse a roupa
    escolhida ao começar o dia.

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