Moral abreviada

Uma nuca de loura e de graça inclinada,

Um colo que arrulha, belos, lascivos seios,

Com medalhões escuros na mama afogueada,

Esse busto se assenta em baixas almofadas

Enquanto entre duas pernas para o ar, vibrantes,

Uma mulher se ajoelha – ocupada com quê?

 

Amor o sabe – expondo aos deuses a epopéia

Singela de seu cu magnífico, um espelho

Límpido da beleza, que ali quer se ver

Pra crer. Cu feminino, que vence o viril

Serenamente – o de efebo e o infantil.

Ao cu feminino, supremo, culto e glória!

 

 

Paul Verlaine

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David Herbert Lawrence

David Herbert Lawrence, que viria a ser universalmente conhecido como D. H. Lawrence, nasceu na aldeia de Eastwood, no Reino Unido, em 1885.

Sua obsessão por mulheres, sexo e amor revelou-se desde cedo. Embora ele custasse a se decidir sobre a quem amar, tendo perdido a virgindade só aos 23 anos, conseguiu traduzir esses temas numa obra literária magnífica.

Desde seu primeiro romance, de 1911, O pavão branco, Lawrence mostra-nos o amor como uma força da natureza, as paixões como redemoinhos que carregam os fracos seres humanos, e as mulheres carregando o destino dos casais.

As mulheres de Lawrence são decisivas para a existência dos homens, de forma positiva u não. Elas são, segundo ele, o angelical e o animal da natureza encarnados no humano.

O amante de lady chatterley é a história de Constance Reid, uma bela mulher que se casa com Clifford Chatterley, um oficial inglês em licença. Após a lua de mel ele é chamado para uma das frentes de batalha da Primeira Guerra. Retorna inválido, numa cadeira de rodas.

Sir Chatterley é um homem refinado e compreensivo. Vendo a situação da jovem esposa, autoriza-a a encontrar um amante que ela “deseje de todo o coração”. Inicialmente Constance opta pela castidade, mas com o tempo se interessa por Oliver, empregado da mansão, que vive numa cabana no parque que envolve a propriedade.

Oliver é baixo, feio e rude, mas tem para ela a força da natureza. Ao encontrá-lo para transmitir ordens do marido, acaba por entregar-se a ele. Suas relações com o empregado são arrebatadoras. A irmã de Constance tenta levá-la a Paris para que esqueça o amante. Mas ela volta mais apaixonada. Fazem amor sob a luz da lua, no jardim. Ele diz, de forma rude, que é seu fodedor. Ela enrubesce com a palavra rude, mas ele diz que não há vergonha nisso.

O desfecho se dá com Oliver deixando o emprego para tornar-se operário em Sheffield. Constance descobre que está grávida e confessa ao marido. Este imagina que o filho pertence a Duncan Forbes, um pintor que eles haviam hospedado. Ela sente horror pela condescendência do marido e abandona a casa para refugiar-se junto à família.

Essa foi apenas a primeira das 3 versões que o romance teve. Nas demais, ele descreve toda a força do amor sexual dos dois com uma intensidade crua, embora elegante. Constance reflete sobre o pênis do amante com as seguintes palavras: “Sim, num homem verdadeiro, o pênis tem vida própria, e é um segundo homem dentro do homem.”

Lawrence glorifica a alegria dos corpos durante o sexo, o que para ele é um das leis eternas da natureza.

Quando o romance ficou pronto, Lawrence fazia tratamento de saúde na Suíça, já desenganado pelos médicos. O livro apareceu em 1928 e a imprensa o qualificou de “uma latrina”. Um dos matutinos afirmou que “os esgotos da pornografia francesa não tinham produzido nada de comparável”. Lawrence defendeu veemente sua criação magnífíca publicando um A propósito de O amante de lady Chatterley, em que acusava seus críticos de evitarem a “sexualidade vital”.