O que ele foi, não importa

Não se procura,

aberto o freezer, saliva no gelo.

O fantasma é vento

que se esconde nos móveis;

é a imagem que se oculta atrás

do rosto cauteloso no espelho

Ele mora em algum ponto no caminho

entre o interruptor e a sua cama

Por isso a fogueira

a vigília dos leões é uma desculpa

Os adultos também sabem que fantasma

é antônimo de luz

Mas ninguém estranha

que se escondam na tela

quando vão, de lençóis brancos, ao cinema.

Sabrina Lopes

Nasceu em Curitiba, 1978. Publicou poemas nas revistas Alforja (México), Medusa e Babel, no jornal Rascunho e no livro Passagens – poetas contemporâneos do Paraná. Escreveu a peça Perca a vida para o verão junto ao grupo Gabinete de Curiosidades.

Apologia do Sono

Mergulha, poeta, da cabeça aos pés
Nos braços de uma grande sonolência
Que é tudo, mas tudo, o que tu não és
Sendo entretanto a tua própria essência
Dorme solto como um deus esquecido
Criando do nada o imenso etéreo
Onde possas achar o merecido
Além urgente do dia funéreo
Voa nas asas dessa outra ave
Que desconhece o termo economia
E ignora o que seja a sociologia
Descobre desse lado teu a clave
Que é totalmente feita de harmonia
E te abre as portas para um novo dia

Jorge Simões

Ser Feliz

Não quero mais gestos impensados
Quero o homem certo ao meu lado
Um ombro amigo, um abraço apertado
Não quero paixão desatinada

Quero beijo na boca, corpos suados
Alguém que ria das minhas piadas
Que possa dizer, você está errada
Mas estarei sempre ao teu lado

Agora nada me impede de ser feliz
Se não foi possível no passado…
Estou fortalecida agora, é minha hora
Enfrentarei todos os obstáculos

A esperança segue a minha estrada
Sinto cada vez mais meu sol surgir
Lindo, límpido no horizonte da minha caminhada

Tudo passa tudo passou, você chegou
Se você sonha, a vida te acompanha
É só querer e eu posso ser feliz!

Mariélia Argolo