Quando ficares velha

Quando ficares velha, grisalha e sonolenta
E te aqueceres à lareira, pega neste livro
E lê-o devagar, sonha com o olhar meigo
E com as sombras profundas outrora nos teus olhos;

Quantos amaram os teus momentos de feliz encanto
E a tua beleza com amor falso ou autêntico,
Além daquele homem que amou em ti a alma peregrina
E as tristezas que alteravam o teu rosto;

E curvando-te mais sobre a lareira ao rubro
Murmura, um pouco triste, como o Amor se foi
E caminhou sobre as montanhas lá no alto
E escondeu o rosto numa multidão de estrelas.

William Butler Yeats

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A ROSA DO MUNDO

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,

E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,

Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,

Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.

William Butler Yeats

A ILHA DO LAGO DE INNISFREE

Erguer-me-ei e partirei já, e partirei para Innisfree,
E uma pequena cabana erguerei lá, de barro e vime feita:
Nove renques de feijão aí terei, uma colmeia de obreiras e
Viverei sozinho na ensurdecedora clareira.

E aí terei uma certa paz, porque a paz vem lentamente,
Caíndo dos véus da manhã, até onde o grilo canta;
Onde a meia-noite é trémula, e o meio-dia é roxo brilho,
E a noite, de asas de pardais se completa.

Erguer-me-ei e partirei já, porque sempre noite e dia
Oiço a água do lago a folhear murmúrios na rebentação;
Quando vou por estradas, ou por passeios cinza,
Oiço-a no lúmen profundo do coração.

W. B. Yeats

Quando fores velha

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

W. B. Yeats

Quando estiveres velha

Quando estiveres velha, grisalha e sonolenta
Junto a lareira, toma este livro,
E lê devagar, sonhando com o brilho
Que teus olhos tiveram, mas se apagou;

Quantos amaram teus momentos de graça,
E amaram tua beleza com amor falso ou sincero,
Mas um homem amou tua alma peregrina
E os sofrimentos, que marcavam teu rosto;

E, curvada sobre a lenha ardente,
Lamente, em murmúrios, a fuga do amor
Que se refugiou além das montanhas
E escondeu seu rosto entre as estrelas.

William Butler Yeats

Canções

Primeira canção para a Dama

 

Eu giro

Como besta muda num espetáculo.

Nem eu sei onde estou

Nem aonde eu vou,

Meu idioma chulo

dentro de seu nome;

Eu estou apaixonado

E isso é minha vergonha.

Que ao ferir minha alma

Minha alma aflora,

não é melhor que a besta

Em todos lados.

A Segunda Canção da Dama

 

QUE tipo de homem é este que está vindo

Mentir aos seus pés?

Que assunto, sobre nós entre as mulheres.

Lavam; em seu corpo docemente;

Eu tenho armários de fragrância secada.

Eu posso espalhar a folha.

O Senhor terá clemência de nós.

Ele amará minha alma como se

Corpo eu não tivesse,

Ele amará seu corpo

Calmo pela alma,

Amor encherá as duas divisões do amor

Ainda que mantenha toda substância.

O Senhor terá clemência de nós.

Alma tem que aprender o que é o amor

formal em meu peito,

Membros de um amor cotidiano

Como toda besta nobre.

Se alma puder olhar e o corpo tocar,

O qual será o mais pecador?

O Senhor terá clemência de nós.

A Terceira Canção da Dama

Quando  você e meu verdadeiro amor se encontrarem

tocaram qual melodias aos seus pés.

Não falaram de nenhum mal da alma,

nem pensaram que corpo é tudo,

Porque eu sou a luz do dia senhora.

Saiba que o pior mal do corpo

é a honra que os separa

nem cultive qualquer um que o tenha o mais

Que eu posso escutar; se nós deveríamos nos beijar,

Quais serpentes que se contrapõem sibilinas,

Você deveria me deixar explorar a coxa,

Com todo labor do suspiro dos céus.

William Butler Yeats

O Escolhido da Fada

O cavaleiro vinha de Knocknare
E, quando cruzava os áridos campos de
clip_image001Clooth-na-bare; ele sentia
Caolte agitando seus cabelos ardentes
E Niamh chamando
Venha, Venha para cá
Esvazie seu coração de seu sonho mortal.
Os ventos acordaram, as folhas giram pelo ar,
Nossas faces estão descoloridas,
clip_image001[1]nossos cabelos estão soltos,
Nosos peitos estão arfantes,
clip_image001[2]nossos olhos tem um brilho fugidio,
Nossos braços estão acenando,
clip_image001[3]nossos lábios estão entreabertos;
Venha! E se alguém olhar sobre
clip_image001[4]nosso tão desejado vínculo,
Nós estaremos entre ele e os feitos das suas mãos,
Nós estaremos entre ele e as esperanças
clip_image001[5]de seu coração.
O cavaleiro está seguindo velozmente ‘entre noites e dias’,
E, onde poderá haver esperanças ou feitos tão
clip_image001[6]apraziveis e belos?
Seu companheiro Caolte agitando seus cabelos de fogo,
E Niamh chamando Venha, Venha para cá.

William Butler Yeats

A Canção do Delirante Aengus

Eu fui para uma floresta de nogueiras,

Porque minha mente estava inquieta,                                
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.
Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.
Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.

William Butler Yeats

As Vozes Eternas

Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam;
Vão até aos guardiões das hostes celestiais
E os ordene que vagueem obedecendo à Tua vontade,
Chamas sob chamas, até o Tempo deixar de existir;
Não tem você ouvido que nossos corações estão cansados,
Que você tem chamado por eles nos pássaros,
clip_image001no vento sobre as colinas,
Em balançantes gallhos nas árvores,
clip_image001[1]nas marés pela beira-mar?
Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam.

William Butler Yeats

O prazer do difícil

O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado
Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,
Sob o chicote, trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem
As peças de teatro que se escrevem
Com cinqüenta montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários,
E a guerra cotidiana com seu gado,
Afazer de teatro, afã de gente,
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado.

WILLIAM BUTLER YEATS

Eu espalhei meus sonhos

Eu espalhei meus sonhos sob teus pés
Tivesse eu os tecidos bordados do céu,
Entremeados com a dourada e prateada luz,
O azul, o furta-cor e o escuro tecido

Da noite, do dia e da meia-luz,
Eu espalharia os tecidos sob teus pés.
Mas, sendo eu pobre, e tendo somente meus sonhos;

Espalhei meus sonhos sob teus pés;
Caminhe com cuidado pois caminhas
Sobre meus sonhos.

W.B. Yeats

A UMA CRIANÇA QUE DANÇA NO VENTO

 
Dança aí junto ao mar;
Que te importa
O rugido da água, o rugido do vento?
Sacode a tua cabeleira
Molhada de gotas de sal;

Tu que és tão jovem ignoras
O triunfo do néscio, não sabes
Que o amor mal se ganha e logo se perde,

Nem viste morrer o melhor operário
E todos os feixes por atar.
Por que hás-de temer
O terrível clamor dos ventos?

William Butler Yeats

Quando Fores Velha

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

William Butler Yeats

DESEJA OS TECIDOS DOS CÉUS

DESEJA OS TECIDOS DOS CÉUS
Fossem meus os tecidos bordados dos céus,
Ornamentados com luz dourada e prateada,
Os azuis e negros e pálidos tecidos
Da noite, da luz e da meia-luz,
Os estenderia sob os teus pés.
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas os meus sonhos.
Eu estendi meus sonhos sob os teus pés
Caminha suavemente, pois caminhas sobre meus sonhos.

William Butler Yeats

Ó sábios, junto a Deus, sob o fogo sagrado…

Ó sábios, junto a Deus, sob o fogo sagrado,
como se num mosaico de ouro a resplender,
vinde do fogo santo, em giro espiralado,
e vos tornai mestres-cantores do meu ser .

Rompei meu coração, que a febre faz doente
e, acorrentado a um mísero animal morrente,
já não sabe o que é; arrancai-me da idade
para o lavor sem fim da longa eternidade.

Livre da natureza não hei de assumir
conformação de coisa alguma natural,
mas a que o ourives grego soube urdir
de ouro forjado e esmalte de ouro em tramas,

para acordar do ócio o sono imperial;
ou cantarei aos nobres de Bizâncio e às damas,
pousado em ramo de ouro, como um pássa-
ro, o que passou e passará e sempre passa.

William Yeats

 

Eu espalhei meus sonhos

Eu espalhei meus sonhos sob teus pés
Tivesse eu os tecidos bordados do céu,
Entremeados com a dourada e prateada luz,
O azul, o furta-cor e o escuro tecido

Da noite, do dia e da meia-luz,
Eu espalharia os tecidos sob teus pés.
Mas, sendo eu pobre, e tendo somente meus sonhos;

Espalhei meus sonhos sob teus pés;
Caminhe com cuidado pois caminhas
Sobre meus sonhos.

W.B. Yeats

Tudo pode tentar-me

Tudo pode tentar-me a que me afaste deste ofício do verso:
Outrora foi o rosto de uma mulher, ou pior —
As aparentes exigências do meu país regido por tolos;
Agora nada melhor vem à minha mão
Do que este trabalho habitual. Quando jovem,
Não daria um centavo por uma canção
Que o poeta não cantasse de tal maneira
Que parecesse ter uma espada nos seus aposentos;
Mas hoje seria, cumprido fosse o meu desejo,
Mais frio e mudo e surdo que um peixe.

William B. Yeats

 

Desejo para os panos dos céus

Se tivesse eu os panos bordados dos céus,
Entremeados com luz dourada e de prata,
O azul e os panos não ofuscantes e escuros
Da noite e da luz e da metade-luz,

Eu espalharia os panos debaixo dos teus pés:
Mas eu, sendo pobre, tenho somente os meus sonhos;
Eu espalhei os meus sonhos debaixo dos teus pés;
Pisa com cuidado porque pisas os meus sonhos.

William B. Yeats

Rosa do Mundo

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.

William Yeats

 

Versos escritos em desalento

Quando é que eu vi pela última vez
Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes
Dos leopardos escuros da lua?
Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres,
Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas,
Suas lágrimas de raiva, fugiram.
Os santos centauros das colinas desapareceram;
Não tenho nada para além do amargado sol;
Banida mãe lua heróica e desaparecida,
E agora que cheguei aos cinquenta anos
Tenho que aguentar o tímido sol.
William Yeats

O Prazer do difícil

O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado

Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,
Sob o chicote, trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem

As peças de teatro que se escrevem
Com cinqüenta montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários,
E a guerra cotidiana com seu gado,

Afazer de teatro, afã de gente,
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado.

William Yeats

O Prazer do díficil

O prazer do difícil tem secado

A seiva em minhas veias. A alegria

Espontânea se foi. O fogo esfria

No coração. Algo mantém cerceado

Meu potro, como se o divino passo

Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,

Sob o chicote, trêmulo, prostrado,

E carregasse pedras. Diabos levem

As peças de teatro que se escrevem

Com cinqüenta montagens e cenários,

O mundo de patifes e de otários,

E a guerra cotidiana com seu gado,

Afazer de teatro, afã de gente,

Juro que antes que a aurora se apresente

Eu descubro a cancela e abro o cadeado.

 

William Butler Yeats

SAILING TO BYZANTIUM

That is no country for old men. The young

In one another’s arms, birds in the trees —

Those dying generations — at their song,

The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,

Fish, flesh, or fowl, commend all summer long

Whatever is begotten, born, and dies.

Caught in that sensual music all neglect

Monuments of unageing intellect.

An aged man is but a paltry thing,

A tattered coat upon a stick, unless

Soul clap its hands and sing, and louder sing

For every tatter in its mortal dress,

Nor is there singing school but studying

Monuments of its own magnificence;

And therefore I have sailed the seas and come

To the holy city of Byzantium.

O sages standing in God’s holy fire

As in the gold mosaic of a wall,

Come from the holy fire, perne in a gyre,

And be the singing-masters of my soul.

Consume my heart away; sick with desire

And fastened to a dying animal

It knows not what it is; and gather me

Into the artifice of eternity.

Once out of nature I shall never take

My bodily form from any natural thing,

But such a form as Grecian goldsmiths make

Of hammered gold and gold enamelling

To keep a drowsy Emperor awake;

Or set upon a golden bough to sing

To lords and ladies of Byzantium

Of what is past, or passing, or to come.

 

William Butler Yeats

Viajando para Bizâncio

Aquela não é terra para velhos. Gente

jovem, de braços dados, pássaros nas ramas

— gerações de mortais — cantando alegremente,

salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas,

peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente

tudo o que nasce e morre, sêmen ou semente.

Ao som da música sensual, o mundo esquece

as obras do intelecto que nunca envelhece.

Um homem velho é apenas uma ninharia,

trapos numa bengala à espera do final,

a menos que a alma aplauda, cante e ainda ria

sobre os farrapos do seu hábito mortal;

nem há escola de canto, ali, que não estude

monumentos de sua própria magnitude.

Por isso eu vim, vencendo as ondas e a distância,

em busca da cidade santa de Bizâncio.

Ó sábios, junto a Deus, sob o fogo sagrado,

como se num mosaico de ouro a resplender,

vinde do fogo santo, em giro espiralado,

e vos tornai mestres-cantores do meu ser .

Rompei meu coração, que a febre faz doente

e, acorrentado a um mísero animal morrente,

já não sabe o que é; arrancai-me da idade

para o lavor sem fim da longa eternidade.

Livre da natureza não hei de assumir

conformação de coisa alguma natural,

mas a que o ourives grego soube urdir

de ouro forjado e esmalte de ouro em tramas,

para acordar do ócio o sono imperial;

ou cantarei aos nobres de Bizâncio e às damas,

pousado em ramo de ouro, como um pássaro,

o que passou e passará e sempre passa.

 

William Butler Yeats

A man young and old: First Love

Though nurtured like the sailing moon
In beauty’s murderous brood,
She walked awhile and blushed awhile
And on my pathway stood
Until I thought her body bore
A heart of flesh and blood.

 

But since I laid a hand thereon
And found a heart of stone
I have attempted many things
And not a thing is done,
For every hand is lunatic
That travels on the moon.

 

She smiled and that transfigured me
And left me but a lout,
Maundering here, and maundering there,
Emptier of thought
Than the heavenly circuit of its stars
When the moon sails out.

 

William Butler Yeats

Quando estiveres velha

Quando estiveres velha, grisalha e sonolenta
Junto a lareira, toma este livro,
E lê devagar, sonhando com o brilho
Que teus olhos tiveram, mas se apagou;

Quantos amaram teus momentos de graça,
E amaram tua beleza com amor falso ou sincero,
Mas um homem amou tua alma peregrina
E os sofrimentos, que marcavam teu rosto;

E, curvada sobre a lenha ardente,
Lamente, em murmúrios, a fuga do amor
Que se refugiou além das montanhas
E escondeu seu rosto entre as estrelas.